A leitura realizada em
muitas escolas ainda é vista como algo completamente sem interação, o aluno se
mantém numa postura de leitura silenciosa, de cópias e não possui a
oportunidade de expor sua opinião. Diante desta realidade, duas professoras de
língua portuguesa de uma mesma escola resolveram implantar em suas aulas, o
projeto ”Diário de leitura”, uma iniciativa que visa incentivar o hábito de ler
por parte dos alunos, ressaltando a importância deste.
A escola em que ambas
atuam, está localizada na zona urbana do distrito de Sucatinga, pertencente ao
município de Beberibe no Ceará, e atende uma média de mil e duzentos
estudantes em quatro espaços diferentes, onde a maioria mora na zona rural do
município. Nesta unidade escolar, o hábito de leitura ainda era “escasso” em meio a
tantos alunos, devido inclusive a questões sociais familiares em que os alunos
estavam inseridos, que chegam a incidir sobre a forma de agir e
de pensar dos estudantes.
O projeto deu seus primeiros
passos teoricamente, onde foram realizados momentos de sensibilização junto aos
docentes, grupo de conversas bastante informais sobre os gostos e experiências
de leitura durante a vida escolar dos alunos, momento sobre o desempenho dos
brasileiros no que concerne a prática da leitura no Brasil, e outros mementos.
Conhecendo
todos os desafios que teriam que enfrentar com o projeto e as potencialidades
de cada turma envolvida, as educadoras saíram desse momento mais teórico, e
passaram as atividades práticas.
De
inicio a experiência foi com as quatro turmas de 3º anos do ensino médio. Os
alunos foram convidados a se dirigir a biblioteca da escola e escolher individualmente
um livro que lhe chamasse atenção, fosse por qualquer motivo. Em seguida,
podiam levar para casa e iniciar a leitura. Ao decorrer da leitura era
importante que cada aluno escrevesse as experiências vividas a cada capitulo do
livro, a cada trecho lido, a cada história, ou simplesmente ao fim da leitura
por completo. O caderno de anotações era
de fato o “diário de leitura”.
Depois de certo período
de tempo estipulado pelas educadoras, era proposta em meio a uma aula
previamente organizada, uma roda de alunos no ginásio poliesportivo da escola, proporcionando
um ambiente agradável, diferenciado, que tornasse o momento único, rico,
mágico, onde cada um tinha seu momento de partilhar as experiências vividas,
seus conhecimentos adquiridos, o que mais lhe chamou atenção, enfim, cada aluno
partilhava o que queria a respeito do que leu.
Ao fim deste momento,
tudo se iniciava novamente. Novos livros, novas leituras, novos leitores, novos
conhecimentos, novas experiências vividas e partilhadas posteriormente. Tudo
isso foi um pontapé inicial para que a leitura se tornasse de vez um habito na
vida de muitos estudantes daquela escola, e que acarretasse bons resultados
futuramente.
“... Ao fim do período
letivo, percebemos mudanças quanto a atitude em relação à leitura por
parte dos alunos. Além do envolvimento e imersão da maioria dos estudantes, era
percebível também o envolvimento de outros professores inclusive de outras
disciplinas. Os empréstimos foram além-escola, passou-se a empréstimos de
livros pessoais entre professores e alunos. Os momentos de socialização foram
bastante enriquecedores, pois houve uma maior participação de alguns estudantes
e o desenvolvimento com as habilidades com o texto oral. As contribuições do
projeto foram muitas, a principal delas foi o aumento do número de livros lidos
por alguns estudantes em um ano. Outro ganho significativo foi o
desenvolvimento das habilidades de leitura, e isso foi verificado com a
proficiência na disciplina de íngua portuguesa na prova do SPAECE...”,
ressaltou as educadoras em uma produção científica publicada
na revista eletrônica da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF.
Este projeto de sucesso
ainda é desenvolvido nesta escola até o período letivo atual, proporcionando
sempre em meio às leituras, um mundo novo, cheio de coisas desconhecidas.
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